EDUCAÇÃO

Escolas de Schroeder se adaptam à realidade da educação em tempos de pandemia




Diretor da escola Santos Tomaselli, Dionata dos Santos Ramos, e a diretora do CEIM Girassol, Karolline Lins de Carvalho Ananias. Foto: Gênesis Costa/Schroeder Post

Logo que a notícia da pandemia se disseminou pelo mundo, as escolas foram os primeiros locais a serem fechados e devem ser um dos últimos a serem reabertos. Diante da impossibilidade de estudantes frequentarem as instituições de ensino, as secretarias de educação tiveram que buscar alternativas para que os alunos continuassem tendo aulas, mesmo que em casa. Um desafio inédito para muitas escolas públicas.  

Uma das grandes parceiras das escolas nessa empreitada foi a tecnologia. Muitas escolas usaram vídeos e áudios enviados para o WhatsApp dos familiares dos alunos para passar o conteúdo que seria aplicado em sala de aula.

Foi o que fez o CEIM Girassol, no Centro. Segundo a diretora Karolline Lins de Carvalho Ananias, a quarentena exigiu que os professores se adaptassem à situação.

“As professoras tiveram que se reinventar, gravar vídeos, algo que é diferente de estar na sala de aula, aplicando em sala de aula. Ocorre aquele receio, essa foi uma das dificuldades iniciais, depois as professoras se mostraram super bem”, explicou.

Para Dionata dos Santos Ramos, diretor da Escola Municipal Professor Santos Tomaselli e do Jardim Infância Pequeno Príncipe, no bairro Tomaselli, o trabalho até aumentou durante a pandemia.

“Os professores em sua totalidade estão superando seus limites, até os com maiores dificuldades com meios tecnológicos por sua formação ou vida regressa, buscam constantemente diversas maneiras de interagir com os alunos e familiares.

Trabalham bem mais que suas cargas horárias, pois respondem muitas dúvidas dos alunos e familiares via aplicativos de mensagens, se dedicam elaborando explicações e vídeos para os alunos. Claro que estamos em aprendizado constante, revendo ações e estratégias, com acertos e erros, que subsidiam os planejamentos futuros”, afirmou o educador.

As famílias dos alunos também estão sendo importantes neste momento. Cabe aos pais ou tutores ajudarem os professores a passarem os conteúdos para os alunos, assim como repassarem as dúvidas dos estudantes para os educadores.

“Considerando a grande dificuldade destas famílias, onde deixar os filhos no horário que estariam na escola, instabilidade financeira, tempo dividido com trabalho, afazeres inerentes à rotina familiar, preocupação com o contágio eminente dos integrantes da família, em meio a tudo isso ter que inserir nessa apertada rotina tempo para auxiliar os filhos, estabelecendo rotina de estudos, muitas vezes tendo que aprender junto com o filho para poder ver a evolução do mesmo. Só temos a agradecer a todos os alunos, pais e familiares, pois todos os dias nos surpreendemos com os retornos de atividades, através de vídeos, fotos e demais trabalhos. Os alunos e familiares estão superando as expectativas e estão tornando possível aprendizados significativos nesse momento somando ao trabalho dos professores”, afirmou Dionata.

Karolline faz coro à opinião da colega e afirma que a maioria dos pais está conseguindo auxiliar os filhos. “A grande maioria das famílias dá o retorno. Uma das dificuldades é um número pequeno de alunos que não consegue realizar as atividades. Infelizmente algumas famílias não têm condição de realizar ou realiza e não nos dá retorno. Hoje tem grupos de WhatsApp e cada professora atende sua turma. Aí as professoras postam diariamente as sugestões de atividades e no próprio grupo os pais dão o retorno. Ficou próximo o contato dos professores com os pais”, explicou a diretora.

Apesar da boa resposta dos pais, muitos ainda demonstram dificuldades com a tecnologia. Seja para aprender a trabalhar com os aparelhos e programas ou para ter acesso ao necessário para as aulas.

“Toda dificuldade é um agravante quando se trata de aprendizado, mas a que mais destaca no momento é o acesso à internet e equipamentos. Muitos dos nossos alunos não têm uma boa conexão e grande maioria só utiliza celular, que no geral não tem um desempenho muito bom para esta situação. Ficou notório que uma parcela considerável dos nossos educandos tem um conhecimento superficial de algumas demandas tecnológicas ou se aprofundaram somente em zonas de real interesse dos mesmos como redes sociais, aplicativos momentâneos, entre outros. Ações simples de acessar o sistema e utilizar suas funcionalidades teve e ainda tem muita demanda para explicações e assessorias para parte dos alunos e famílias. Considerando que os profissionais da educação estão habituados na interação com os alunos nas suas aulas presenciais, gravar uma aula é uma ação que será transmitida não somente para os alunos, uma vez que estas aulas podem ser compartilhadas infinitamente, alguns lutam contra a timidez e outras dificuldades inerentes a essa exposição”, comentou Dionata.

Ainda sem data incerta para o retorno às atividades presenciais, as escolas ainda não sabem como serão os trabalhos após essa volta. Ainda assim, os docentes estão ansiosos por uma retomada da normalidade, já que sentem falta do contato diário com os alunos.

“É uma loucura, é se reinventando, dá um sentimento até de tristeza porque a gente vem aqui para a creche e não tem mais a alegria das crianças. Um sentimento de tristeza e saudade, hoje o que a gente está vivendo não é o nosso normal”, lamentou Karolline.





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