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Comemorando 90 anos durante a pandemia, Elly está há mais de três meses sem sair de casa em Schroeder




Elly Lina Schultz Rückert comemorou 90 anos no dia 15 de junho

Memória e disposição de dar inveja. Aos 90 anos, Elly Lina Schultz Rückert teve que comemorar as nove décadas de vida de um jeito diferente, isolada e sem a festa planejada. Apesar disso, ela comemora a história que construiu e já sabe o que quer daqui para frente. “Meu desejo é continuar lúcida e ativa”, garante.

Com dois filhos, seis netos e nove bisnetos, Elly cresceu em uma Schroeder muito diferente da que hoje tem pouco mais de 21 mil habitantes. Ela conta que nasceu na localidade de Rio Camarada e que, por ser filha única, tinha nos animais domésticos e na paixão em mexer com a terra seus passatempos preferidos.

Com a memória afiada, ela lembra que na sua infância “não tinha cidade”. A comunidade era formada por poucas casas distantes umas das outras e poucos e pequenos comércios que abasteciam as famílias.

A sobrevivência era baseada na lavoura e na pecuária. “Schroeder mudou totalmente com a instalação do município, a entrada de indústrias, energia elétrica, padarias e outros setores da economia”, fala.

Agricultora desde a infância, quando ainda tinha na terra uma brincadeira, Elly passou para a literatura recentemente. A memória e as histórias que viveu e presenciou ajudaram a contribuir para a escrita do livro que relembra a construção e desenvolvimento da cidade.

Uma das histórias que foi contada por ela foi a do grande temporal que atingiu a região em outubro de 1952, danificando diversas casas e deixando prejuízos para as famílias. Além disso, lembra a idosa, as fotos da famosa parteira Amália Schroeder foram cedidas para o livro.


Agora, confessa Elly, a leitura, a televisão, o rádio e a arte de contar histórias se tornaram algumas de suas atividades preferidas. Além delas, a presença da família e as boas conversas com as amigas alegram a vida. “Eu me divirto na companhia dos filhos, netos e bisnetos. Gosto da união e da positividade da família”, diz. Também gosta de participar de encontros de idosos na Igreja da Paz.

Em isolamento desde o dia 15 de março, Elly não conseguiu comemorar o aniversário como a família desejava. A filha, Margali Ruckert Tomaselli, de 64 anos, conta que o plano era uma festa com 90 convidados, mas a festa precisou ser cancelada devido à pandemia do coronavírus.

Apesar disso, o almoço em família foi mantido. “Os 90 anos não poderiam passar em branco. Fizemos um almoço em família na casa dela, servimos um bolo como sobremesa, cantamos os parabéns e fizemos uma homenagem com mensagens que cada um escreveu e entregou para ela. Ela não queria presente e disse que ama bilhetinhos escritos, pois gosta muito de ler”, conta.


Margali fala com amor e carinho da mãe que é “muito positiva, otimista, ativa e de muita fé.  Essas qualidades contribuíram para ela viver tantos anos com qualidade de vida”, garante.

“Nós admiramos sua persistência em realizar suas atividades sozinha e sempre diz que jamais gostaria de depender de alguém para continuar a caminhada. Tem fé e sempre relata que Deus a protege e acompanha no dia a dia”, complementa.

Com boa saúde e tomando apenas alguns medicamentos, Elly faz alongamentos e diz que faz exercícios físicos quando trabalha no jardim, na horta e na pequena roça.

A alimentação é baseada no que ela mesmo cultiva, como cará, aipim, morangos, abóboras e verduras. Agora, Elly espera que a pandemia passe para que ela possa fazer uma das coisas que mais gosta: viajar e aproveitar a vida ao lado da família.





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