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Aos 94 anos, Kurt Fischer é memória viva em Schroeder





Aos 94 anos, o senhor Kurt Fischer é o personagem desta edição da série de reportagens que o Schroeder Post traz aos seus leitores, relatando a vida de quem já passou dos 90 anos, em Schroeder. Por meio de telefone a nossa redação conversou com seus familiares que relatam a história de vida e recordações do patriarca.

No próximo dia 16 de maio, o “opa” da família Fischer, em Schroeder, completará 95 anos. A idade avançada não é impedimento para que Kurt Fischer mantenha sua rotina ativa e saudável.

Com saúde forte, seu dia a dia consiste em passeios com a família, além de manter o hábito de leitura e os cuidados com a horta de sua residência. “Ele come, dorme, vai um capinar um pouco, dá uma volta”, relata a filha Ilzemira Fischer Behling, 66 anos.

Dos produtos da horta vem parte da alimentação de Fischer. Ele é o responsável pelo cultivo de itens como o aipim e a batata-doce. “Semana passada ele estava tirando as batatas-doces que ele plantou, estava feliz da vida com o que ele conseguiu colher”, conta.
 Kurt Fischer completará 95 anos em maio. Foto: Arquivo Pessoal  

Para a filha, esta é parte da receita para se viver até os 94 anos, manter-se ativo e ter uma alimentação saudável e diversificada, com produtos cultivados em casa.

“O médico dele diz que é isso que faz a pessoa viver mais. Comer bastante as comidas naturais. Temos criação de pato, marreco. Comemos coisas de mercado, mas muitas produzimos em casa e é isso que faz a diferença”.

Uma das marcas registradas de Kurt Fischer é sua gaita de boca. As melodias tradicionais são a animação dos encontros em família, divertindo familiares e amigos, o que demonstra sua saúde forte e a vida feliz na melhor idade.

História de vida

Os pais de Kurt Fischer vieram jovens de Pomerode para Schroeder, onde construíram os pilares da família no município. Na propriedade adquirida pela família, nas proximidades de onde é hoje o bairro Duas Mamas, Kurt nasceu e é onde ele e seus descendentes vivem ainda hoje.

Um dos poucos períodos em que Fischer se afastou da terra natal foi na juventude, quando prestou serviço militar, em Joinville. Neste período, já namorava com aquela que viria a ser sua esposa e mãe de seus cinco filhos, Hildegard Geisler Fischer.

A filha do casal relata que recentemente, ao organizar documentos antigos do pai, encontrou as cartas que seu Kurt Fischer enviava à sua mãe, nos tempos em que estava no Exército.

“Achei interessante saber que ele, lá de Joinville, mandava essas cartas para ela, quando estavam noivos”, destaca Ilzemira.

Da união com Hildegard, que durou 62 anos, nasceram cinco filhos, sendo quatro meninas e um menino. A família se mantém unida. Muitos dos filhos, netos e bisnetos vivem em casas próximas, construídas na mesma propriedade.

“A gente já perdeu as contas de quantos netos, bisnetos e tataranetos ele tem”, acrescenta a filha.

Segundo Kurt, a vida do passado ainda deixa saudades. Foto: Arquivo Pessoal

Após sair do exército, Fischer fez o curso de marceneiro, profissão em que trabalhou durante toda a vida em madeireira local. “Ele era empregado lá na empresa e nós, filhos, junto com minha mãe trabalhávamos na roça”. Do trabalho de todos vinha o sustento da família.

Após se aposentar da profissão passou então a se dedicar aos cuidados com o quintal de casa, além de atuar como autônomo prestando serviços de marcenaria na região.

Depois de ficar viúvo, há dez anos, o idoso passou então a viver com a filha e com o genro Cuniberto Behling, 70. Na vizinhança, moram seus outros filhos, netos e bisnetos que se revezam na atenção e cuidados com o opa.

Lembranças do passado

É ao olhar para as terras onde cresceu e constituiu família que Kurt Fischer lembra do passado, da infância e juventude. Segundo os familiares, Kurt declara sentir falta do passado, de quando os campos eram mais vastos e a vida mais sossegada.

Ao mesmo tempo em que os vizinhos ficavam mais distantes e as estradas de terra tornavam os acessos mais remotos, a vida parecia correr de forma mais lenta e tranquila. Ele lembra que no passado mal existiam bicicletas.

Carros eram raridades e telefones eram artigos de luxo. Hoje a vida moderna traz conforto, como a comodidade de poder pedir remédios por telefone e receber as entregas na porta de casa.

No entanto, segundo Kurt, a vida do passado ainda deixa saudades. “Ele diz que sente falta, ele olha para onde era a casa onde ele nasceu e lembra daquele tempo. A vida era mais fácil, mais simples”, completa Ilzemira.

É ao olhar para as terras onde cresceu e constituiu família que Kurt Fischer lembra do passado. Foto: Arquivo Pessoal   





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