ESPORTE

Jovem schroedense joga nos campos da Itália

O que começou como uma brincadeira no quintal de casa contra um adversário “mais velho, mais forte e mais rápido” logo se transformou em sonho e, agora, em realidade. Aos 18 anos, Marco Antônio Tomaselli embarcou em um avião e, se o destino na passagem era a Itália, na história do garoto schroedense era o início de uma trajetória sonhada desde a infância.

Depois de começar jogando futebol na grama de casa com o irmão, Marco Antônio se dedicou, treinou e hoje defende a camisa do Francavilla, da Itália. Há dois meses no país europeu, a jovem joia schroedense conta como está sendo a adaptação, as dificuldades, os sonhos e desafios de correr atrás do maior objetivo: viver do futebol.

Ele conta que deve voltar ao Brasil apenas em maio ou junho de 2021, durante as férias após a temporada. O atleta ressalta, ainda, a importância da escolinha Bom de Bola e do professor Paulo Peters na preparação e, até mesmo, no impulso para encarar o novo desafio.

Um ano antes de viajar, Marco Antônio começou treinos individualizados com a metodologia italiana aplicada com o objetivo de prepará-lo e tornar sua adaptação mais suave. “Treinei durante um ano e isso me fez evoluir muito e chegar aqui mais preparado. Sem ele e sem a escolinha eu não estaria onde estou hoje. Ele me apoiou muito, me fez crescer como atleta e como pessoa. Sem ele, nada disso seria possível. Sem minha família que sempre me apoiou muito, meus amigos. Tenho uma junção de pessoas maravilhosas na minha vida”, fala.

Confira a entrevista!

Há quanto tempo você está na Itália?


Estou na Itália há quase dois meses. Eu cheguei aqui sem falar a língua, conseguia me comunicar o básico em inglês e o italiano fui aprendendo na marra, estou com outro brasileiro que entende italiano. Então, ele me ajudou no início a entender as coisas. No primeiro mês foi bem difícil, eu não entendia quase nada que os italianos falavam, mas agora já consigo entender e me comunicar. Em campo, já não estou perdido, entendo o que os companheiros falam, o que o técnico quer e já consigo me comunicar melhor. Ir ao mercado, restaurante sozinho. Não sou fluente, mas consigo me comunicar.

Quais as maiores dificuldades?

O que foi mais difícil no primeiro mês foi ficar em isolamento. Ficamos os primeiros 15 dias de quarentena, isolado em um apartamento pequeno em três e também a questão da língua. Tem a questão emocional, as pessoas que a gente deixa, as pessoas que a gente gosta no Brasil. Família, amigos, o cachorro e tudo, deixa tudo para trás, é um passo difícil de dar com tudo isso, mas tem o objetivo que estou buscando, o sonho, e isso tem que ser maior do que as nossas limitações e as coisas que nos seguram no nosso lugar, é assim que se alcança os objetivos e os sonhos mais difíceis. No primeiro mês eu fiquei mais em casa, treinava no estacionamento. Ficamos 20 dias sem sair de casa. Eu trouxe uma bola e uma chuteira de futsal e treinava no estacionamento, corria, me exercitava ali. Depois disso, do isolamento, começamos a sair mais, provar as coisas que tem aqui e não tem no Brasil. A pizza é diferente, a comida é diferente, o clima.

E a saudade da família? Como lidar?

É muito grande, tenho um irmão mais velho, a mãe e o pai, estávamos todos os dias juntos, sempre tomávamos café juntos, sempre fomos muito unidos e agora sou eu e eu. Eles estão torcendo por mim, mas aqui sou eu que tenho que correr atrás, tenho que fazer tudo. Mas eu fui muito bem criado, preparado, então não estou sofrendo tanto. Sinto que estou bem tranquilo. Os italianos que estão morando comigo, vejo que eles não levam as coisas tão bem quanto eu levo e a família deles está a três, quatro horas de viagem, e eu que tenho a família no Brasil às vezes lido melhor com algumas situações. É difícil, é ruim, mas eu suporto tranquilo, eu acho que faz parte do processo sofrer um pouco.

O que você vê de mais “diferente” da Itália e do Brasil? E no futebol, quais as principais diferenças?

A diferença da Itália e do Brasil, é estranho porque eu saí e cheguei aqui e está em quarentena, já não é mais aquela bem fechada, mas ainda não é o normal. Mesmo assim eu percebo que a vida aqui tem um custo mais baixo. Não é que é mais fácil, mas o custo de vida é menor e é um país mais evoluído em muitos aspectos. Não que a vida seja melhor, depende, no Brasil eu tenho todos os meus amigos. Eu prefiro a comida, o clima do Brasil. No Brasil as pessoas são mais calorosas, tudo que a gente já sabe. A principal diferença no futebol é que aqui não existe aquele craque, aquele craque que dribla, que faz firula com a bola, no Brasil tem muito do drible, aqui o campo é muito organizado em setores, cada jogador tem a sua função dentro de campo e meio que não pode fazer muito diferente.

Como você vê essa oportunidade?

Eu vejo essa oportunidade como algo enorme para começar, de entrar nesse mundo do futebol e para aprender muita coisa. Eu estou em um time diferente, país, cultura, isso vai ser muito bom para minha vida e jogando aqui vou ter muita experiência, tanto no futebol como na vida em si. É a maior oportunidade que eu tive na vida. Estou em outro país, em um time bom, com treinamentos diferentes, vou viver muitas experiências.

Quais são seus principais objetivos aí?

O meu principal objetivo era, primeiramente, ser aceito no time. Agora que eu fico na temporada com eles, meu objetivo é ser titular e evoluir nesse time. O próximo passo que quero dar é ser titular, fazer diferença, crescer, melhorar, melhorar o meu futebol, o meu desempenho para cada vez mais evoluir, ser alguém que sintam falta, que queiram no jogo, que precisem de mim. Estou treinando muito para ajudar o time, melhorar o meu futebol e assim, ter mais oportunidades no futuro.

Qual é o seu maior sonho no futebol?

Meu maior sonho no futebol é conseguir viver disso, alcançar uma excelência, conseguir atingir meu auge de futebol, jogar muito bem em um time de série A e conseguir ter uma vida boa. Conseguir viver disso.



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