GERAL

Doação de órgãos salvou vida de schroedenses




Foto: Arquivo

O dia 27 de setembro é uma data importante e, talvez, represente um novo nascimento para milhares de famílias pelo Brasil. Em Santa Catarina e em Schroeder não é diferente.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos lembra as vidas salvas que se multiplicam diariamente graças ao ato de amor que famílias têm em um momento sensível e delicado.

Neste ano, apesar da pandemia, o SC Transplantes (Sistema Estadual de Transplantes) registrou um índice maior de doações efetivas de múltiplos órgãos e tecidos.

Enquanto no primeiro semestre de 2019 foram 137 doações, no mesmo período deste ano, foram 145, o que coloca SC em segundo lugar em doações de órgãos, atrás apenas do Paraná, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

O índice catarinense é de 40,5 doações efetivas por milhão de população. A média nacional foi de 15,8.

O número de transplantes entre janeiro e agosto foi de 624 no Estado. Destes, 380 foram de córneas e 244 de órgãos, entre eles, rim, fígado, coração e rim/pâncreas.

Considerado um transplante de alto risco o duplo de rim e pâncreas foi, justamente, o que salvou a vida da cabeleireira Jéssica Luana Maske, de 29 anos. A schroedense passou pelo procedimento em fevereiro de 2019, mas antes disso, passou quase dois anos entre a notícia de que sua vida dependia de um transplante e o alívio de sair do hospital sabendo que o futuro seria diferente do passado.

Uma “nova vida”

Diabética desde criança, Jéssica passou a vida inteira tendo que lidar com a doença que, como ela mesma resume, “é uma doença que vai corroendo aos poucos”.

Cerca de um mês após transplante de rim e pâncreas, Jéssica  estava trabalhando normalmente. Foto: Arquivo

Ela conta que teve diversos problemas de saúde até receber a notícia, em julho de 2017: você precisa de transplante. No mesmo mês a cabeleireira iniciou o tratamento com diálise peritoneal e, todas as noites, se conectava a uma máquina por nove horas.

“Receber essa notícia foi muito terrível. No primeiro momento eu não queria, mas sempre encarei tudo de frente e tinha que ser. Os médicos falaram que, sem o transplante, eu teria um mês de vida, então, eu sabia que precisava disso para sobreviver”, lembra.

Um ano e oito meses. Esse foi o período que ela passou se conectando, diariamente a uma máquina. Depois de pesquisar e conversar com médicos, ela descobriu que, em Blumenau, era possível realizar o transplante duplo.

O rim já estava completamente comprometido e, caso o procedimento não fosse duplo, o pâncreas ficaria sobrecarregado em alguns anos e Jéssica teria que refazer o transplante.

Se o tratamento foi longo, a espera pelo transplante não. Quatro meses na fila, quatro “tentativas” sem que a compatibilidade permitisse o transplante e, finalmente, no dia 17 de fevereiro de 2019, a jovem cabeleireira entrou na sala de cirurgia para sair com uma vida completamente diferente, longe das insulinas diárias e das diálises intermináveis. Nove horas de cirurgia depois, Jéssica tinha um “novo” rim e um “novo” pâncreas.

“No início, você saber que recebeu o órgão de alguém que faleceu, que teve que morrer para você sobreviver é bem complicado. Depois você vai se adaptar. Isso sempre vinha na minha cabeça. Eu sempre agradeço a Deus por essa nova vida, essa nova chance, porque sem o transplante talvez eu não estaria viva hoje”, fala.

A recuperação, lembra ela, foi surpreendente. Seis dias depois da cirurgia, Jéssica estava em casa e, 30 dias depois, estava atendendo normalmente no salão. “Eu fui muito abençoada. Só tenho que agradecer”, diz.

A cabeleireira não sabe quem fez a doação, de qual cidade é a família, mas agradece diariamente pelo ato corajoso. “Só tenho que agradecer a família que fez a doação, não sei de nada, mas essa família com certeza foi muito corajosa porque é inexplicável você perder um ente querido e ao mesmo tempo abrir a tua mente para fazer uma doação de órgãos. Isso não é uma coisa fácil. Uma coisa que passa pela minha cabeça é que sem a doação de órgãos com certeza eu não estaria viva hoje e é uma coisa muito importante. As pessoas só sabem o quanto é importante quando alguém da família ou elas precisam. Hoje em dia, aqui em casa todo mundo é doador. É uma ação incrível que uma família faz e salva pessoas”, ressalta.

Sensação de vitória 

A visão da família Lindner também mudou completamente e não foi apenas uma vez que a família viveu o sofrimento de esperar por uma doação. Professora aposentada, Melania Lindner Roters conta que todos os irmãos precisaram passar por procedimentos cirúrgicos.

Melita, hoje com 60 anos, recebeu um rim; Marleni, precisou transplantar nervos da própria perna para uma das mãos; Marcelino perdeu parte do crânio em um acidente na infância e os médicos o substituíram por acrílico e Márcio, retirou um osso da bacia para transplantar, com uma placa de titânio na coluna vertebral após um acidente em uma piscina.

 Na imagem, os irmãos Melita, Marleni, Melania, Marcelino e Marcio. Foto: Arquivo 

“A notícia de algo ruim nos tira o chão, mas quando vem a solução Deus coloca chão de nuvens”, fala. Melania, que é a única dos irmãos sem um transplante, conta que a mãe, hoje com 79 anos, mudou sua visão sobre transplantes de órgãos depois que, aos 19 anos, a primeira filha precisou de um rim.

“O sofrimento foi muito grande, mas a minha mãe é muito forte. Ela sempre dizia ‘eu nunca vou doar nada’, mas quando a minha irmã precisou, ela viu a importância. A partir de lá, ela é a favor da doação. A sensação de vitória, de alívio é muito grande”, finaliza.

 




COMENTÁRIOS







VEJA TAMBÉM